Fight Music Show

Lutas de influenciadores movimentam milhões e ganham espaço no Brasil

Lutas de influenciadores movimentam milhões e ganham espaço no Brasil

As lutas envolvendo influenciadores digitais se transformaram em um dos fenômenos mais rentáveis do entretenimento esportivo brasileiro nos últimos anos. Organizadas principalmente pelo Fight Music Show (FMS), essas disputas atraem multidões de espectadores e movimentam cifras milionárias, misturando fama nas redes sociais com apelo competitivo dentro do ringue. O caso mais recente envolve Davi Brito, vencedor do Big Brother Brasil 2024, que voltou a treinar para enfrentar Rico Melquiades neste mês de agosto.

Davi já disputou duas lutas pelo FMS e perdeu ambas. A primeira foi em novembro de 2025, contra o ator Sacha Bali, derrota por decisão unânime após seis rounds. A segunda ocorreu em maio deste ano, quando o baiano caiu por nocaute técnico no sexto round diante de Kleber Bambam, outro ex-BBB que também construiu carreira nesse tipo de evento. Mesmo derrotado, Davi embolsou uma bolsa estimada em R$ 1 milhão pelo confronto com Bambam, valor que pode chegar a R$ 2,5 milhões somando patrocínios e campanhas publicitárias - um número que ajuda a explicar por que tantos nomes da internet têm buscado esse tipo de palco, num movimento que lembra o crescimento de outras modalidades de entretenimento digital, como o próprio jogo crash que paga, que também tem conquistado público fiel no Brasil.

Impasse financeiro marca a próxima luta de Davi Brito

O duelo entre Davi Brito e Rico Melquiades, inicialmente marcado para acontecer no Rancho do Maia, reality digital comandado por Carlinhos Maia, chegou a ser cancelado por desacordo comercial. Davi exigiu um cachê de R$ 150 mil, valor confirmado pelo próprio ex-BBB, que justificou a cobrança destacando o valor do seu trabalho e recusando lutar apenas pela exposição midiática. Depois da resistência inicial, Carlinhos Maia renegociou os termos, embora o valor final ainda não tenha sido divulgado oficialmente. Rico Melquiades, por sua vez, prometeu pagar R$ 200 mil a Davi caso saia derrotado, o que reforça o caráter comercial que essas disputas vêm assumindo, muitas vezes ofuscando o próprio aspecto esportivo.

Bambam e Popó elevaram o padrão financeiro do formato

Apesar dos valores expressivos movimentados por Davi Brito, ele ainda está distante dos recordes do segmento. Em 2024, no FMS 4, MC Gui venceu Nego do Borel e faturou mais de R$ 2 milhões entre prêmio e patrocínios, enquanto Borel recebeu R$ 1,2 milhão. Mas o destaque financeiro daquela edição foi a luta entre Kleber Bambam e o tetracampeão mundial de boxe Popó, encerrada em apenas 36 segundos com nocaute do lutador profissional. Segundo o jornalista Leo Dias, Bambam faturou cerca de R$ 6 milhões somando bolsa e patrocínios, enquanto Popó recebeu por volta de R$ 5 milhões - números que, segundo o próprio Bambam, superaram com folga o prêmio que ele havia recebido ao vencer o BBB em 2002.

Whindersson e Popó: dois capítulos e cifras em ascensão

O primeiro confronto entre Whindersson Nunes e Popó, em janeiro de 2022, terminou em empate técnico, mas já sinalizava o potencial financeiro do formato. Segundo o youtuber, a premiação girou em torno de R$ 12 milhões divididos entre os lutadores, com arrecadação total estimada em R$ 25 milhões pela revista Exame. A revanche, disputada em 30 de maio deste ano como luta principal do FMS 8, terminou com vitória de Popó por decisão dos juízes. De acordo com estimativas do site The Sporting News, o boxeador faturou cerca de R$ 10 milhões, somando bolsa fixa e receitas de patrocínio e transmissão, enquanto Whindersson embolsou aproximadamente R$ 7 milhões, impulsionado principalmente pela divisão dos lucros do pay-per-view.