Há exatos 17 anos, em 18 de outubro de 2009, Jenson Button selava o título de pilotos da Fórmula 1 ao cruzar a linha de chegada em quinto lugar no GP do Brasil, em Interlagos. O resultado, somado aos 89 pontos acumulados ao longo da temporada, tornou matematicamente impossível que o inglês fosse alcançado na etapa final, disputada duas semanas depois em Abu Dhabi. Naquele formato de pontuação, ainda sem os 25 pontos ao vencedor instituídos posteriormente, a consistência de Button ao longo do ano falou mais alto que qualquer resultado isolado.
Uma temporada de contrastes para a Brawn
O título veio pelas mãos de uma equipe improvável. A Brawn GP nasceu da compra da estrutura da Honda por Ross Brawn, justamente no ano em que a categoria vivia incertezas financeiras generalizadas. Com o carro de número 22, Button surpreendeu ao vencer seis das oito corridas da equipe naquela temporada - as outras duas ficaram com o companheiro brasileiro Rubens Barrichello. Foi um ano único: em 2010, a Brawn já não existiria mais, absorvida pela Mercedes, que assim retornava à F1 como construtora.
Rubens Barrichello, piloto que viria a se consagrar mais tarde como campeão da Stock Car, ainda sonhava com o título até a própria etapa de Interlagos, mas terminou a temporada superado também por Sebastian Vettel, da Red Bull, que fechou o ano como vice-campeão.
A corrida decisiva em Interlagos
O GP do Brasil de 2009 teve Barrichello na pole position, resultado de um treino classificatório disputado sob chuva - uma das especialidades do brasileiro ao longo da carreira. A estratégia, no entanto, exigiu que ele largasse com menos combustível, o que o obrigou a um pit stop antecipado em relação aos rivais diretos pelo título.
Na corrida, Rubens não conseguiu sustentar ritmo suficiente diante da Red Bull de Mark Webber e da BMW Sauber de Robert Kubica. Um furo de pneu na reta final ainda tirou dele a chance real de fechar o pódio em terceiro. Do outro lado, Button fez uma prova de administração inteligente: largou apenas em 14º após um classificatório discreto, mas soube aproveitar as entradas do carro de segurança para escalar posições e cruzar a linha em quinto - o suficiente para fechar as contas do campeonato antes mesmo da última etapa.
Da Brawn à McLaren, e o fim de uma longa trajetória nas pistas
Campeão pela Brawn, Button foi contratado pela McLaren já para 2010, equipe pela qual correu de forma regular até 2016. Fez ainda uma aparição isolada em 2017, no GP de Mônaco, substituindo Fernando Alonso, que naquele fim de semana disputava as 500 Milhas de Indianápolis. Pela McLaren, o inglês somou mais oito vitórias, a última delas justamente no GP do Brasil de 2012, totalizando 15 triunfos na Fórmula 1 ao longo da carreira.
Após deixar a categoria máxima, Button seguiu ativo como piloto profissional, competindo no Mundial de Endurance (WEC) pela equipe Jota. Em outubro de 2025, aos 45 anos, anunciou sua aposentadoria definitiva das pistas, encerrando um ciclo que começou em 2000, pela Williams-BMW, e que teve em Interlagos, em 2009, seu capítulo mais simbólico.